Vamos votar no rei
Novembro 5, 2009
O meu amigo Flávio escreve sobre os possíveis resultados de um plebiscito nos tempos de internet.
Sempre achei um pouco engraçada a idéia de instituir por meio do voto uma monarquia hereditária. Parece contraditório. Parte da argumentação dos católicos monarquistas vem da instituição divina do poder real. Ora, se o rei (e conseqüentemente sua prole) foi posto lá por vontade do povo expressa em votos, qual a diferença entre ele e um presidente democraticamente eleito? O que aconteceria depois se o povo mudasse de idéia? Haveria espaço para um novo plebiscito? Então o povo poria o rei fora do trono novamente?
Ou a legitimidade do rei está acima da democracia, ou o rei não passa de um presidente disfarçado e com mandato por tempo indeterminado. Não sou monarquista, pelo menos até agora não sou, mas imagino que ser súdito é como ser casado. Se você se casa imaginando poder divorciar-se, você na verdade não se casa, o casamento é ilegítimo. Para ser legítima, uma monarquia instituida pelo voto num plebiscito precisa admitir a possibilidade de ser deposta num plebiscito. Mas um monarca que admita ser deposto a qualquer momento pelo voto popular é como um homem que se casa admitindo o divórcio: um nunca será legítimo monarca, o outro nunca será esposo legítimo.
Eis aí uma bela sinuca de bico…
Vídeos Edificantes
Agosto 19, 2009
Com a preciosa ajuda da Rosselline
Destaque para o terceiro vídeo, na minha opinião o mais bem bolado de todos.
Os vídeos acima são obras desse GÊNIO aqui.
Outros vídeos do mesmo autor no Youtube: aqui.
E já que estamos falando de vídeos, não custa lembrar:
Para ver o mesmo vídeo com melhor qualidade, mas sem as legendas, clique aqui.
Vale também conferir as fontes das informações do vídeo.
Sobre a recente proibição de recebermos a Comunhão na boca
Agosto 2, 2009
Nas últimas semanas, muitos bispos do Brasil resolveram proibir, a título de medida sanitária contra a gripe, a milenar prática católica de receber a Comunhão diretamente na boca. Alguns se limitaram a uma recomendação, outros foram taxativos em suas proibições. Por respeito aos senhores bispos, alguns dos quais admiro particularmente, não entrarei aqui no mérito da irregularidade de suas medidas, dado que a Instrução Redemptionis Sacramentum, de 2004, dá ao fiel o direito de escolher como receberá a sagrada Comunhão.
No entanto, desde que comecei a criticar, ainda que respeitosamente, a decisão dos bispos, muitos amigos e até alguns sacerdotes passaram a me atacar duramente. Já fui chamado de orgulhoso, escrupuloso, desobediente, exagerado, tolo, e muitas outras coisas mui caridosas. Critiquei e critico a medida por dos motivos: não acredito na eficiência sanitária dela e considero que, passada a epidemia de gripe atual, amargaremos por muitos anos as conseqüências da proibição.
Como forma de resposta a esses amigos supracitados, escrevo este pequeno texto, para tentar fundamentar minha atitude e provar que ela em nada tem a ver com desobediência ou com escrúpulos, a não ser que sejam também escrupulosos muitos santos e papas. Havia decidido deixar esse assunto de lado, mas vi um testemunho numa comunidade do Orkut que me deixou verdadeiramente preocupado, e que motivou definitivamente este texto. Eis aqui:
Conversei hoje com meu diretor espiritual, porém antes mesmo dessa conversa já havia refletido sobre o que você [um interlocutor] me disse e 1) sim, eu mesma vi escrúpulos nas minhas considerações; 2) excelente idéia a de comungar por último, mas agora já nem me preocupo tanto em receber a comunhão na mão
Esse é um testemunho real, e demonstra que está se tornando freqüente a acusação de escrúpulos e de orgulho contra quem se recusa a aceitar a Comunhão na mão. E muitos estão caindo nesse conto.
A primeira coisa urgente aqui é desfazer um mal entendido. Uma leitura apressada da Redemptionis Sacramentum pode sugerir que a Igreja confere a mesma dignidade e liberdade às duas maneiras de comungar. Mas isso é um erro. Existe, é claro, a tolerância com a Comunhão na mão, uma permissão especial, mas a Instrução de 2004 diz o seguinte:
[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca [178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.
Há duas coisas importantes aí. A primeira é que existe uma restrição a Comunhão na mão: se houver perigo de profanação, que ela seja negada. Mas não há nenhuma restrição prevista para a Comunhão na boca. A segunda é o pouco percebido número 178, que consiste numa nota de rodapé. Eis o conteúdo da nota: “Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 161.” Confiramos, então, como nos pede a Redemptionis Sacramentum, a Instrução Geral do Missal Romano, parágrafo 161:
161. Se a Comunhão for distribuída unicamente sob a espécie do pão, o sacerdote levanta um pouco a hóstia e, mostrando-a a cada um dos comungantes, diz: O Corpo de Cristo ou Corpus Christi. O comungante responde: Amen, e recebe o Sacramento na boca, ou, onde for permitido, na mão, conforme preferir. O comungante recebe a hóstia e comunga-a imediatamente e na íntegra.
Os negritos são meus, e destacam o seguinte: a regra geral é que se receba o Sacramento na boca, e que apenas onde for permitido se poderá receber conforme a preferência. Ora, meus amigos, se não faz diferença, se é orgulhoso aquele que faz distinção entre as formas de comungar do Corpo de Cristo, porque então é necessária uma permissão especial para receber o Sacramento na mão? Não age com orgulho e desobediência ao Magistério quem opta por receber a Comunhão na boca; muito pelo contrário, age perfeitamente em consonância com a regra universal da Igreja, e na verdade só se pode agir diferente em lugares onde haja uma permissão especial da Santa Sé. E poder agir diferente não implica em ter que agir diferente, daí que as recorrentes instruções da Santa Sé peçam que não se proíba, mesmo onde se permite a Comunhão na mão, que o fiel a receba na boca, e que a mesma recomendação não aconteça no sentido contrário, ou seja, nos lugares onde não houver permissão, o fiel só pode receber a comunhão na boca, sem direito a escolha.
Por si só, a mera referência ao assunto em dois recentes documentos oficiais da Igreja já derruba a tese do exagero. Sim, tem muita gente por aí sugerindo que é um exagero, uma tempestade em copo d’agua, refletir sobre a forma mais reverente e correta de receber o corpo de Cristo. Vamos, porém, averiguar melhor se o assunto é recente e se é mesmo um exagero nosso tratar dele.
Diz São Tomás:
A distribuição do Corpo de Cristo pertence ao sacerdote (…) porque, por respeito para com este Sacramento, nada Lhe toca a não ser o que é consagrado; eis porque o corporal e o cálice são consagrados, e da mesma maneira as mãos do sacerdote, para que toquem este Sacramento. E assim, não é licito que qualquer outra pessoa Lhe toque, excepto em caso de necessidade, por exemplo, se caísse ao chão ou em qualquer outro caso de urgência. (ST, III, Q.82, Art. 13)
Bom, admitamos que como argumento contra a medida atual dos bispos, a citação de São Tomás pode ser inútil, já que ele prevê o “caso de urgência”. Ainda que eu discorde da possível interpretação, alguém poderia sugerir que a epidemia de gripe suína é caso de urgência. Mas o fato é que recorri ao santo para deixar claro que, se eu faço tempestade em copo d’água, São Tomás também fazia. Além disso, o trecho da Suma Teológica é um golpe fatal no infeliz sofisma que algumas pessoas que até considero bastante inteligentes me propuseram: as mãos do sacerdote seriam tão indignas quanto as nossas mãos leigas, pois ninguém é digno de Cristo. Ora, meus caros, isso não é coisa que se ouça de um católico. Ainda que como homem o sacerdote seja um servo indigno de Deus, como ordenado ele é consagrado. Se nos deixássemos levar pela idéia contrária, em breve não veríamos mais motivos para que a confissão fosse feita para um sacerdote, nem para que fosse necessário um sacerdote para consagrar as espécies, e nem para nada mais. Estaríamos, mais do que nunca, perto da concepção protestante de ministério cristão. Prossigamos, porém, averiguando se é um exagero dos tolos refletir sobre a melhor maneira de receber o Sacramento, e se é bobagem afirmar que um leigo não deveria tocar na hóstia consagrada.
Diz o grande João Paulo II, em sua carta Dominicae Cenae:
Nalguns países entrou em uso a Comunhão na mão. Tal prática foi pedida por algumas Conferências Episcopais, singularmente, e obteve a aprovação da Sé Apostólica. Contudo, chegam informações sobre casos de deploráveis faltas de respeito para com as Espécies eucarísticas, faltas que pesam não somente sobre as pessoas culpáveis de tal modo de comportar-se, mas também sobre os Pastores da Igreja, que terão sido pouco vigilantes quanto à compostura dos fiéis em relação à Eucaristia. Acontece ainda que, por vezes, não é tomada em consideração a livre escolha e vontade daqueles que, mesmo naquelas partes onde foi autorizada a distribuição da Comunhão na mão, preferem ater-se ao uso de a receber na boca. Seria difícil, pois, no contexto da presente Carta, deixar de aludir aos dolorosos fenómenos de que acima se faz menção. Ao escrever isto, não se quer de maneira nenhuma fazer referência àquelas pessoas que, recebendo o Senhor Jesus na mão, o fazem com espírito de profunda reverência e devoção, nos países onde tal prática foi autorizada.
Eis aí mais um indício de que as duas formas de comungar não recebem a mesma e universal aprovação da Igreja. Mais uma vez se diz que para receber a comunhão na mão é preciso uma autorização especial, autorização obviamente desnecessária para receber o Corpo de Cristo da maneira universal, diretamente na boca. Mas o Santo Padre continua:
É preciso, todavia, não esquecer o múnus primário dos Sacerdotes, que foram consagrados na sua Ordenação para representar Cristo Sacerdote: as suas mãos, assim como a sua palavra e a sua vontade, por isso, tornaram-se instrumento directo de Cristo. Por tal motivo, ou seja, como ministros da Santíssima Eucaristia, eles têm sobre as sagradas Espécies uma responsabilidade primária, porque total: oferecem o pão e o vinho, consagram-nos, e em seguida distribuem as sagradas Espécies aos participantes na assembleia eucarística que desejam recebê-las.
E mais:
O tocar nas sagradas Espécies e a distribuição destas com as próprias mãos é um privilégio dos ordenados, que indica uma participação activa no ministério da Eucaristia.
Parece que João Paulo II, apesar das permissões particulares em contrário, concorda com o que já dizia São Tomás. Pelo jeito, somos nós três, o Santo, o Papa e este pobre pecador que vos escreve, três grandes exagerados escrupulosos.
Continuemos, porém, em busca de mais sobre o assunto:
Diz a Instrução Memoriale Domini, de 1969, sobre a maneira de distribuição da Santa Comunhão:
(…) nos anos recentes, uma maior participação na Celebração Eucarística através da comunhão sacramental fez surgir, aqui e ali, o desejo de retornar ao antigo uso de depositar o pão eucarístico nas mãos do comungante, ele próprio então comungando, colocando-o na boca.
De fato, em certas comunidades e em certos lugares esta prática foi introduzida sem que uma anterior aprovação fosse solicitada à Santa Sé, e, às vezes, sem qualquer tentativa de preparar adequadamente os fiéis.
Decerto é verdade que um uso antigo já permitiu aos fiéis tomar este divino alimento em suas mãos e colocá-lo, eles próprios, em suas bocas.
(…)
Posteriormente, com uma compreensão mais profunda da verdade do mistério eucarístico, de seu poder e da presença de Cristo nele, sobreveio um maior sentimento de reverência para com esse sacramento e sentiu-se que se demandava uma maior humildade quando de seu recebimento. Foi, portanto, estabelecido o costume do ministro colocar uma partícula de pão consagrado sobre a língua do comungante.
Esse método de distribuição da Santa Comunhão [na boca] deve ser conservado, levando-se em consideração a situação atual da Igreja em todo o mundo, não apenas porque possui por trás de si muitos séculos de tradição, mas especialmente porque expressa a reverência do fiel pela Eucaristia. O costume não prejudica de modo algum a dignidade pessoal daqueles que se aproximam deste augusto sacramento: é uma parte daquela preparação que é necessária para uma recepção mais frutuosa do Corpo do Senhor.
Essa reverência mostra que o que está envolvido não é o compartilhar de um “pão e vinho ordinários”, mas do Corpo e do Sangue do Senhor, através do qual “O povo de Deus toma parte no Sacrifício Pascal, renova o Novo Testamento que Deus selou com o homem de uma vez por todas com o Sangue de Cristo, e na fé e na esperança prefigura e antecipa o banquete escatológico no Reino do Pai”.
Além do mais, a prática [da Comunhão na boca] que deve ser considerada a tradicional assegura, mais efetivamente, que a Santa Comunhão seja distribuída com o devido respeito, decoro e dignidade. Remove o perigo de profanação das sagradas espécies, nas quais “de modo único, Cristo, Deus e homem, está presente, inteiro e íntegro, substancialmente e continuamente” (…).
Enfim, parece-me suficiente provado que esse não é um assunto tolo, que tocar nele não é exagero ou questão de escrúpulos. Parece-me também que há, acima, indícios suficientes para julgarmos que a Igreja não confere a mesma distinção e liberdade à ambas as formas de comungar, como se fossem mera questão de opção. Mas resta ainda um outro assunto a tratar, talvez até mais delicado: o fato de ter sido costume em tempos antigos por si só justifica o retorno da prática da Comunhão recebida na mão? Questionemos por partes:
Primeiramente, não há indícios históricos suficientes para provar que receber a Comunhão na mão tenha sido uma prática universal nos primeiros séculos da Igreja. O testemunho de São Cirilo de Jerusalém, frequentemente utilizado pelos defensores da Comunhão na mão, mesmo que seja autêntico, só indica que tal prática era permitida num determinado lugar, num determinado período de tempo. Sugerir que uma prática adotada na Igreja de Jerusalém no século IV fosse necessariamente a regra geral de toda a Igreja, é abusar do anacronismo e da boa vontade do leitor. Mas vamos supor que sim, que essa era uma prática comum. Se consideramos esse um argumento válido para voltar àquela prática, então teremos que considerar seriamente voltar a eleger nossos bispos por escolha do povo, voltar a proclamar santos por aclamação, que a confissão e a penitência voltem a ser públicas, além de muitas outras práticas que a Igreja, em seus primórdios, adotava.
Por si só, a antiguidade não depõe em favor de uma prática. Muito pelo contrário, como Cristo representou uma imensa novidade, como trouxe grande espanto, é normal que se leve algum tempo para compreender melhor Seus ensinamentos, para interpretar Seu Evangelho. Voltar a práticas antigas que somente o tempo e a experiência poderiam comprovar que eram razoavelmente perigosas, ou que foram aperfeiçoadas justamente pelo tempo e pela experiência é, na verdade, um grande erro de perspectiva, é ignorar a experiência adquirida a duras penas, é abandonar temerariamente o ensinamento da história e da tradição. Tal como no campo da teologia, no campo da disciplina e da prática litúrgica, o anseio por novidades e o desconhecimento da história por vezes trouxe à tona não o novo, mas sim os velhos erros do passado.
Não dei aqui os meus motivos para considerar equivocada a medida dos bispos brasileiros que proibiram, por causa da gripe, a Comunhão na boca. Nem os darei todos. Mas, com ela, muitos bons bispos acabaram por dar a certos sacerdotes que já negavam ao fiel o direito de receber a Comunhão na boca, as supostas razões para continuarem no erro por muito tempo depois da epidemia. Da mesma forma, como demonstra claramente o testemunho da jovem no início deste texto, deram a muitos fiéis ocasião para crer que não existe diferença entre as formas de comungar, que doravante podem fazer como acharem melhor, que a prática de receber na mão é tão querida pela Igreja quanto a prática de receber a Comunhão na boca. Vale a pena insistir: apenas por preferir radicalmente receber a Comunhão na boca, vocês não estão sendo escrupulosos, não estão sendo orgulhosos, estão agindo em pleno acordo com o Magistério da Igreja e com a opinião autorizada de muitos santos. Se confiar no Magistério e na palavra dos santos é orgulho, então eu sou orgulhoso com satisfação.
Quanto aos bispos, não duvido que tenham agido com boa intenção nessa questão da gripe. Creio apenas que, no que diz respeito à forma da Comunhão, talvez tenham sido um pouco apressados, e talvez não tenham meditado suficientemente bem sobre as conseqüências de suas medidas. Só espero que, passado o clima de desespero com a pandemia, os mesmos bispos que ordenaram que suas medidas fossem lidas semanalmente nas paróquias, sejam igualmente enfáticos e ordenem que a medida de restabelecimento da normalidade também seja lida semanalmente, e que instruam com rigor a todos os sacerdotes, ensinando que eles NÃO podem negar ao fiel a Comunhão na boca. E peço a Deus que isso aconteça o mais rápido possível.
Com Jesus, Maria e José,
Carlos Kramer
A fantástica perda de tempo dos ateus
Julho 13, 2009
Um texto do Sergio de Biasi:
http://oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/
Um comentário:
Por que todo ateu vive tão preocupado com Deus e com quem Nele crê?
Se Deus existe, há motivos de sobra para que seus crentes tentem alertar os ateus, vistos pelos crentes como cegos ou ignorantes.
Se Deus não existe, tal como creem os ateus, os crentes são todos completamente loucos e iludidos. Não acha que tentar convencer os loucos de que sua loucura é grande através de argumentos lógico-matemáticos é uma atividade por demais idiota?
Um exemplo prático: que o Pedro Sette caridosamente ature o ateísmo do Sergio de Biasi na esperança de que um dia ele abra os olhos, isso é perfeitamente compreensível. Por outro lado, que o Sérgio de Biasi ature a completa insanidade do Pedro Sette (que insiste em crer em Deus) mantendo com ele um diálogo, como se fosse possível manter um diálogo racional com um doido, isso eu não consigo compreender.
Por fim, exatamente como Santo Anselmo, um crente nunca fundamenta sua crença em argumentos lógicos ou filosóficos. Isso significa que de nada adiantaria refutar toda a filosofia cristã do universo, pois isso não diminuiria a fé de quem crê. E, se o axioma fundamental de toda filosofia cristã é a fé, e a fé é, na melhor das hipóteses, algo completamente louco e idiota para um ateu, ocupar-se de refutar filosofia cristã é, para um ateu, semelhante a ocupar-se de refutar os argumentos de um louco. Quem, neste mundo, ocupa-se de refutar argumentos de um louco?
Do conteúdo acima, o Sergio de Biasi concluiu que eu era uma pessoa raivosa, e que essa raivosidade toda é fruto da minha religião.
Caro Sergio,
Teria outras coisas a dizer, mas vou me ater a duas:
1 – Sugiro a leitura de um livro bastante básico: ‘A História da Filosofia Cristã’, de Philotheus Boehner e Etienne Gilson. Lá há uma introdução interessante sobre as relações da filosofia cristã com a fé dos cristãos e também um capítulo sobre Santo Anselmo que talvez te interesse, nem que seja apenas para levantar o status da questão.
2 – De tudo que disse em tua resposta, pela qual agradeço o tempo dispensado, só uma coisa eu não poderia deixar passar: “A religião produz sistematicamente pessoas raivosas como você”. Ora, de onde deduziu que eu estivesse com raiva? Muito pelo contrário, estava verdadeiramente curioso para entender o que motiva um ateu a dedicar algum tempo de estudo para refutar um argumento que considera tolo e que, uma vez refutado, não causaria efeito nenhum nos interlocutores, considerando que não atingiria o fundamento da fé. Quando se dedica a refutar um marxista, ao menos teoricamente se está refutando o fundamento de sua ‘fé’, que é supostamente racional. Se os cristãos não são loucos, mas estão apenas enganados, não muda nada do que eu disse: refutar as consequências desse engano não refuta o engano em si, continua sendo um gasto tolo do tempo de um ateu.
Desculpe, Sergio, se pareci raivoso. Eu realmente não estava. E, relendo meu texto, não encontrei nada nele que indicasse raiva.
Cordialmente,
Carlos
Missa na forma extraordinária no Rio de Janeiro
Julho 2, 2009

No próximo dia 11 de julho, ao meio dia e meia hora, com a benção de seu Arcebispo, será celebrada no Rio de Janeiro a Santa Missa na forma extraordinária do Rito Romano. A Missa será uma primeira reunião dos católicos da cidade interessados no Rito Tridentino.
Maio 31, 2009
Também tenho Twitter agora. Fiz só para provar que até mesmo um direitista empedernido e ultra-conservador como eu pode não estar imune às modinhas.
Meu Casamento
Maio 30, 2009
No último dia 25 de abril, este blogueiro que vos fala casou-se com a então senhorita (hoje senhora) Rosselline de Oliveira. Nosso casamento aconteceu à luz do dia, às dez horas, numa manhã de outono e de céu azul, bem do jeitinho que sonhávamos.
Para melhorar, conseguimos a inesperada ajuda do Coro da Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro. Eles nos presentearam com uma linda Missa ‘de Angelis’, celebrada logo após o rito do matrimônio, como mandava o costume antes da reforma litúrgica de 1970. Sim, casamo-nos em rito de São Pio V ou, se preferir, na forma extraordinária do rito romano, tal como define o nosso Papa Bento XVI. Foi uma escolha arriscada: o coro nunca cantara antes numa Missa tridentina. O padre nunca celebrara antes um casamento nesse mesmo rito. Os noivos… bem, os noivos nunca haviam se casado antes, ora bolas. Mas por graça de Deus tudo correu bem, até melhor do que o esperado. E para estimular outros casais católicos, que pela Providência ou por simples acidente venham atracar neste blog, a aproveitarem a ocasião do matrimônio para celebrarem uma bela e Santa Missa, seja tridentina ou não, deixo aqui algumas imagens do nosso casamento.











Obrigado a Deus, por essa imensa e imerecida Graça!
A noite do mortos vivos

Vejo há pouco no telejornal uma reportagem na qual um daqueles grupetos de deficientes físicos se unem numa ‘cadeirada’ em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias. Não posso pensar em outra coisa senão naqueles filmes de zumbis, em que, tendo perdido seus próprios cérebros, os mortos-vivos saem em busca de umas cabeças para mordiscar. Como para tudo hoje é preciso fazer ressalvas, óbvio é que ficar paraplégico deve ser muito ruim, que não é algo que se deseje para ninguém, nem é sofrimento que se menospreze. Se os zumbis de fato existissem, também causariam justificados sentimentos de compaixão. Causar compaixão é o único motivo pelo qual a mídia publica imagens de cadeirantes sempre que vai tratar do assunto células-tronco. Causar compaixão e, ao mesmo tempo, repulsa por todo aquele que se oponha a esse tipo de pesquisa, que, sugerem, poderia fazer andar os aleijados, fazer com que os cegos enxerguem, com que os surdos ouçam e todo tipo de coisa tipicamente milagrosa. Imagino que quando zumbis vierem a existir, haverá manifestações deles em frente ao Congresso, defendendo o direito de chupar nossos cérebros com fins terapêuticos. E será causador de repulsa todo aquele que se opuser ao alívio do sofrimento desses pobres coitados. A reportagem que vi concluia muito bem toda essa história. Dizia que a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias no Brasil era uma ‘vitória sobre aqueles setores que defendiam a vida a qualquer custo em todas as suas fases’. O único problema é que dizia isso com júbilo. Na mesma reportagem, eis que surge Marcelo Yuka, vítima preferencial dos bandidos da zona norte carioca, a dizer que era hipocrisia se opor a pesquisas com embriões. Nem se dava conta que, ao dizer isso, justificava os que, para escapar de seus próprios sofrimentos materiais, quase o mataram durante um assalto. É a lei de evitar o sofrimento a qualquer custo, mesmo que seja a custa do menosprezo pela vida.
A voz do povo é a voz …
Depois do caso do arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, muitos sites andam por aí divulgando enquetes com resultados favoráveis à liberação do aborto no Brasil. Ora, essa questão serve muito bem para entendermos os limites da democracia. Seria justo deixar uma questão dessas nas mãos da opinião pública? Quantos ‘eleitores’ brasileiros tem realmente acesso a informações verdadeiras e isentas sobre essa questão? Quantos não votariam a favor ou contra o que quer que seja movidos apenas pela simpatia ou adoração por um ator que tivesse participado de uma das campanhas, quantos não votariam sem pensar em algo tão grave e pouco tempo depois se arrependeriam, sem chance de ‘trocar de opinião’, de voltar atrás? E se, de uma hora para outra, as enquetes começarem a sugerir que a maioria do povo é favorável ao assassinato de velhos e de mendigos, ou que todos passaram a achar que o estupro é uma prática socialmente aceita, considerando a debilidade mental de quem o comete? Há limites para a democracia?
Escravo ou Servo?
Fevereiro 6, 2009

Do ponto de vista econômico, que diferença existe entre o escravo da América colonial e o servo da época feudal?
Simples: a mesma que existe entre um país comunista e o Brasil.
Ser escravo é uma merda, o sujeito trabalha como um burro e no fim dá tudo para o seu senhor, mas o proprietário fica obrigado a te alimentar e cuidar.
Ser servo, porém, isso sim é uma grande maravilha: você trabalha feito um burro, é obrigado a entregar tudo para o senhor e ainda tem que se virar com o nada que sobra.
Vejam se o paralelo não é perfeito. Num país comunista, você morre de tanto trabalhar, entrega tudo ao governo, que tem a obrigação de te sustentar e cuidar (e cuidam, diga-se de passagem, não muito melhor do que se cuidava de um escravo no século XIX). Nesse caso, se tudo vai mal, a culpa é do governo, não tem outra.
No Brasil, você emprega todo teu esforço para, no fim, entregar os 40% bons para o governo, 50% para pagar os custos de manutenção (que também acabam parando na mão do governo), e ainda tem que usar o nada que sobra para se virar. E se tudo vai mal, a culpa é tua. Não é a toa que tem gente querendo que o governo tome conta de tudo; raciocinando friamente, é melhor ser escravo que ser servo.
O pior da seleção
Setembro 12, 2008
O pior da seleção não é ficar acordado até tarde para ver um jogo chato. O pior da seleção não é ver um bando de jogadores cheios da grana dando uma banana para o nosso orgulho pátrio. O pior da seleção não é o Dunga, nem o Robinho, nem tão pouco o Ronaldinho.
O pior da seleção é que ela me obriga a concordar com o Lula, e isso dói, meus amigos, isso dói…
