Recebo de um leitor o seguinte comentário:
“E quanto a sua lógica do ‘encaixe’: existem casais héteros que mesmo ‘se encaixando’ preferem (ou ocasionalmente) fazem uso do ânus. Você também tem algum problema com isso ou é só impressão [moral]?”
Dada a natureza da pergunta, eu, que abandonei o magistério antes mesmo de começar ao ter sido torturado pela vulgaridade das aulas de pedagogia, senti o dever cívico de descer do meu tamanco e dar algumas aulas de educação sexual para esse povo carente. Não sou o mais apto para o tema, admito. Nunca coloquei camisinha em banana. Nunca li cartilhas de ‘diversidade’, nem nada parecido. Mas, como no Brasil não aprender nada na escola às vezes é um mérito, a ponto de te deixar caolho no meio de cegos, não recusarei o chamado, a vocação de professor.
Minha primeira aula do curso de Educação Sexual do tio Krämer é intitulada “Nem tudo que reluz é ouro”.
INTRODUÇÃO
Nos lugarejos do interior, na roça, são muito comuns as histórias de homens que vitimizam sexualmente bananeiras e, eventualmente, cabras ou vacas. O fato de existirem muitos desses casos, não os tornam mais ou menos saudáveis. Do mesmo modo, não poucos casais usam seus esfíncteres para defecar no rosto de seus parceiros, ou optam por penetrações em orifícios os mais incomuns, como orelhas, por exemplo. Em nosso curso, os alunos aprenderão que algo bizarro não deixa de ser bizarro só porque muita gente faz.
Voltando ao comentário do nosso leitor e aluno, é preciso esclarecer que “fazer uso do ânus” é algo absolutamente saudável, desde que se faça o uso correto, que consiste em expelir cocô.
STATUS QUAESTIONIS
Por mais que os sexólogos insistam em dizer que sexo anal não causa hemorróidas, claro está que tudo não passa de um complô para ver o povo todo tomar no
… A literatura médica está careca de comprovar que o sexo anal causa problemas, e uma rápida busca na internet é capaz de desmantelar a conspiração liderada pelo dr. Jairo Bouer. Veja por exemplo o seguinte depoimento, encontrado no link http://bit.ly/cyHW4R
“Oi nunca havia feito sexo anal, mas depois que fiz no outro dia apareceu algo que não sei dizer se é uma carne se é tipo um cisto pelo lado de fora do meu anus, gostaria de saber se é hemorróidas ou o que poderia ser, está doendo e não sangra. Ah tentei empurrar pra dentro, ele entra e volta na mesma hora.. se puderem me responder ficarei muito agradecida” (Catiane, 28 de agosto de 2009)
Veja também o depoimento de um senhor homossexual que encontramos aqui http://bit.ly/abfUIJ
“Com medo da hemorróida inflamar novamente, fiquei com medo de praticar sexo anal durante um bom tempo, sendo que comecei um novo relacionamento e fui perdendo um pouco do medo até ficar bem a vontade com a situação. Só que, coincidentemente ou não, desde a última vez que ele me penetrou, venho sentido desconforto anal como se tivesse internamente inchado ou cheio, sensação de peso no ânus, dores na hora da evacuação, no momento de sentar ou da simples contração involuntária do músculo, e um pouco de desconforto também na bexiga ou próstata (não sei bem ao certo). E o que é pior: não detectei nada externamente, e já ouvi falar que a hemorróida interna é mais grave” (Anônimo)
O proctologista responde logo a seguir, confirmando que muito provavelmente se trata de uma hemorróida interna de segundo grau.
Se, a despeito desses e de muitos outros depoimentos que por aí encontramos, os proctologistas continuam fazendo coro aos sexólogos, fica difícil não exercermos nossa consciência crítica anti-capitalista (razão de ser da educação brasileira) e imaginarmos que os médicos especializados em ânus ficam dizendo que sexo anal não causa danos ao
orifício em questão porque é do total interesse deles ver todo mundo com as pregas em frangalhos, o que faria chover clientes em seus consultórios.
E hemorróidas são o menor dos problemas daqueles que, com freqüência, “fazem uso do ânus” para outros fins que não o convencional.
A despeito do que afirma a patrulha do dr. Jairo e seus comparsas no campo da proctologia, podemos encontrar sem muito esforço as vozes dissonantes de médicos e cientistas que honram o juramento que fizeram. Vejam, por exemplo, o trecho extraído de um artigo publicado no site da Sociedade Brasileira de Coloproctologia:
“ Embora hajam contestações dadas às complexidades de relações entre as viroses ano-genitais – HPV e o vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) - e câncer, são notórias, em estudos epidemiológicos, as implicações da infecção genital por vírus e da atividade sexual na patogenia do câncer anal.
Assim, há fatores de riscos fortes e moderadamente fortes para o câncer anal. Aqueles são: a infecção viral (condiloma anal), coito anal, história de doenças sexualmente transmissíveis, mais de 10 parceiros sexuais (…)”.
(http://www.sbcp.org.br/revista/nbr272/p219_223.htm)
Exercitando ainda a nossa já aguçada consciência crítica de cidadãos, não podemos nos furtar ao raciocínio: se o sexo anal é potencialmente causador de males para a saúde, nada mais justo do que questionarmos o seu impacto na saúde pública nacional. Desse modo, é de difícil compreensão a política dos governos que usam nosso dinheiro para campanhas anti-tabagistas nas escolas, ao mesmo tempo que distribuem cartilhas que ensinam crianças a darem o
braço a torcer em questões de diversidade sexual. Ou seja, o governo, ao mesmo tempo que evita uma geração de cidadãos com câncer de pulmão, cria uma nova geração de pessoas com câncer anal. E haja impacto na saúde pública!
HORA DE FIXAR O CONTEÚDO
Aprendemos hoje três lições muito importantes:
1 – Só porque seu pintinho cabe num lugar, não significa que você deva colocá-lo lá;
2 – Evite enfiar tampas de canetas no seu nariz, palitos de fósforo em suas orelhas ou realizar qualquer outro tipo de ‘inversão de polaridade’ em plugs de saída;
3 – Pimenta no ânus de paciente é refresco no bolso do proctologista.
Muito obrigado pela atenção e até a próxima aula. Deixem suas dúvidas na caixa de comentários.